segunda-feira, 18 de janeiro de 2016

[Resenha] Le Chevalier e a Exposição Universal, A. Z. Cordenonsi

Oi, pessoal! Há algum tempo, recebi um pacote muito especial da AVEC, editora parceira do blog, contendo quatro livros: Rio: Zona de Guerra, Doce Vampira, a coletânea VampirosLe Chevalier e a Exposição Universal, sobre o qual vamos falar agora. Por que escolhi começar com ele? Bom, por um simples motivo: nunca tinha lido um steampunk na vida e, ao escrever meus artigos para o Literatortura sobre os subgêneros da Literatura Fantástica, fiquei bem curiosa. Aproveitando a coincidência, comecei Le Chevalier e agora (com alguma demora) vamos à resenha!


Título: Le Chevalier e a Exposição Universal 
Autor: A. Z. Cordenonsi
Edição: 1ª
Ano: 2015
ISBN: 978-85-67901-07-7
Gênero: Steampunk, mistério, investigação
Le Chevalier 01
Compre o livro físico na loja virtual da editora AVEC ou nesses sites aqui; e o e-book pode ser encontrado na AmazonLivraria da TravessaLivraria CulturaiTunes e no Kobo
Assista ao book trailer aqui e adicione à sua estante do Skoob.



O ano é o de 1867 e Paris prepara-se para celebrar a Exposição Universal, consolidando-se como a capital do mundo moderno!Impulsionada pela tecnologia a vapor do professeur Verne, Paris se tornou o epicentro de uma renovada Europa. Ferro, fumaça e óleo lubrificam o caminho do Império Francês enquanto drozdes mecânicos saltitam entre a multidão. Mas uma ameaça paira sobre a cabeça de Napoleão! Em uma guerra de apenas sete semanas, a Prússia derrota a Áustria e lança seus olhos cobiçosos sobre a rica e aristocrática França. Dos campos de batalha para os becos sujos da capital, dos jantares nababescos a catacumbas infestadas de ratos, assassinos e chantagistas se espalham no submundo da espionagem internacional. Mergulhado nas trevas, o Bureau convoca o seu melhor homem: Um espião sem passado. Sem nome. A serviço da sua Majestade, ele é conhecido apenas como: Le Chevalier!
Como a sinopse mostra, a história se passa na França de 1867 e Paris está prestes a sediar a grandiosa Exposição Universal, onde todas as grandes potências do mundo mostrarão suas maiores e melhores invenções. Muito mais que uma mostra de tecnologia, a Exposição é uma ferramenta para mostrar aos amigos e inimigos de Napoleão III, o Imperador, que a França é a maior potência da Terra. Antes mesmo da Exposição começar, porém, um assassinato ocorre no campo de marte - sabe, onde toda a estrutura está sendo montada. E é aí que entram em cena Le Chevalier, o Espião Sem Nome, e seu fiel companheiro, Persa (que é da Tunísia, na verdade). A dupla estava meio afastada da vida política devido a um pequeno (grande) deslize que aconteceu na América antes da nossa história começar, mas, devido à importância e complexidade da missão, Major Volois ignora todos os conselhos do Comissário Simonet e, assim, Le Chevalier tem que correr contra o tempo para descobrir quem orquestrou o assassinato do agente do Bureau e talvez queira matar também o Imperador (ou não).
Pois bem, esse é o começo da aventura de espionagem de Cordenonsi - e é um excelente começo para essa história envolvente e divertida. O humor do livro, aliás, se deve em grande parte a Persa, um personagem fácil de gostar: é engraçado (sem ser idiota ou forçado), tem uma personalidade forte e briguenta, e, por ser estrangeiro, sofre certo preconceito de alguns personagens - o que ele devolve com insultos e ameaças à integridade física do preconceituoso. Como fazia o Robin no seriado Batman da década de 60, Persa cria suas próprias interjeições (maravilhosas) de acordo com o momento, como "por mil bailarinas pirulitantes!" ou "pelos bigodes negros de Laffite!" (um famoso pirata). Enfim, o Legionário e seu drodze mico (já falaremos sobre os drodzes) são excelentes sidekicks para o nosso protagonista. 

Falando nele, Le Chevalier, um espião sherlockiano, é um personagem difícil de definir, uma vez que não se sabe seu nome ou qualquer outra informação sobre sua identidade verdadeira; ao assumir o título de Cavaleiro, o homem que ele era deixou de existir para dar vida ao espião a serviço do Império francês. Isso faz com que sua personalidade seja tão desconhecida quanto seu nome e, talvez por isso, ele seja menos carismático que seu companheiro cheio de rompantes e emoções - ou mesmo a pequena Juliette, a punguista que é um prodígio para construir artefatos mecânicos e que (teimosamente) se mete na investigação do espião. Juliette é, aliás, o maior motivo da minha ansiedade pelo próximo livro: PRECISO saber mais sobre ela.
Paris de Le Chevalier e a Exposição Universal
Agora que já falei um pouco sobre os personagens (ou, pelo menos, sobre meus favoritos), vamos nos dedicar ao background da história - o worldbuilding. Pode não parecer tão difícil quanto criar um mundo novo (como fazemos na Alta Fantasia), mas acredito que transformar a Paris do século XIX em um cenário retrofuturista crível e consistente é tão complexo quanto - e exige uma pesquisa muito minuciosa. Como comentei na resenha de Lobo de Rua, o que mais me agrada em uma história é a verossimilhança; e Le Chevalier esbanja realismo, seja nas descrições da cidade, nas personagens ou mesmo nos costumes. Graças às pesquisas e a hábil escrita de Cordenonsi, consegui imaginar e me transportar para o seu cenário, mesmo sem conhecer Paris ou entender nada de engenharia (mas saber História deixou a experiência mais interessante).
Alexandra, a espiã russa, com
seu drodze lince-anão
A propósito, sendo este meu passaporte de entrada para o mundo do steampunk, eu não poderia estar mais grata ao autor por ser tão conciso em relação à parte de mecânica e tecnologia. Embora presente e importante, o foco da história não está nos equipamentos movidos à vapor, mas, sim, na investigação e na ação. A participação mais presente da tecnologia retrofuturista na história são os drodzes, pequenos autômatos em forma de animais movidos à corda e cristal de quartzo (o que lhes garante personalidade e afeição a seu amo), que se tornaram uma febre na Europa; cada personagem tem o seu drodze de estimação e todos demonstram grande apego a eles, levando-os consigo para todos os lados. Não ter um drodze é ser anormal (ou pobre, porque nem todos nas classes mais baixas tiveram acesso aos autômatos). Seja como for, terminei o livro querendo um. 
Enfim, recomendo Le Chevalier e a Exposição Universal a todos que se interessam por mistérios e investigações à la Sherlock Holmes com grandes doses de ação e humor. Àqueles que, como eu, nunca se aventuraram pelo gênero ou aos entusiastas do steampunk, esta é uma ótima pedida!

Vamos à avaliação final*?
Escrita: 4,5
Enredo: 4,5
Personagens: 4,5
Worldbuilding: 5
Diagramação: 5 (parabéns ao ilustrador, aliás!!)
Revisão: 5
Capa: 5 
Nota final da Cami: 4,5


Ah, sim! Passeando pelo site do autor, encontrei este roteiro de leitura, para usar o livro em sala de aula ou com seus filhos (sobrinhos, primos, irmãos etc). Achei que valia a pena compartilhar com vocês!
E sobre o futuro da série: a sequência de Le Chevalier e uma adaptação para quadrinhos (com uma história inédita!) estão programados para 2016!

2 comentários:

  1. Quase comprei esse livro, Cami! Não comprei porque não tinha lido nenhuma resenha sobre ele até agora.
    Gostei bastante da premissa e desse lance do Le Chevalier ser um cara enigmático (não mais que Sherlock Holmes, pois isso é impossível).
    Gosto de obras steampunks e gosto mais ainda quando um autor de fantasia usa e abusa de um local existente pra criar sua fantasia.
    É, Cami, vou ter que comprar isso aí.

    Um abração!
    www.bravuraliterariablog.blogspot.com.br

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  2. Muito boa leitura. Adorei o gênero que não conhecia. Adorei a indicação.

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