segunda-feira, 30 de março de 2015

[Resenha] Battle Royale, Koushun Takami

Oi, pessoal! Talvez vocês não saibam, mas sempre gostei muito de mangás e animes; apesar disso, nunca tinha lido um livro escrito por um japonês até meu caminho cruzar com Battle Royale. Ouvi falar dele por muito tempo e o namorei por longos meses nas lojas virtuais até que o site das Americanas fez uma boa promoção e o comprei por uns R$22,00 – pelo menos R$10,00 a menos que o preço normal. Entendi o motivo do preço quando o livro chegou: ele é IMENSO (não que seja o maior livro que já li ou algo assim, mas não estava esperando que fosse tão grande). Antes de conseguir um tempo razoável para dedicar a ele, assisti a versão cinematográfica e gostei muito, o que só me deixou com mais vontade de ler. No final do ano passado, o comecei, enfim, e demorei um pouco mais do que gostaria para terminá-lo, mas foi uma leitura rápida (especialmente porque as minhas férias vieram logo a seguir) e fácil; meu único problema foi lembrar o nome dos 42 “jogadores” e ainda de todos os outros personagens envolvidos na trama... Me arrependi de não fazer uma listinha com nomes e algumas características, como minha mãe costuma fazer em livros assim.
Enfim, vamos logo começar pela sinopse do livro que ficou tão famoso com a popularização de Jogos Vorazes e a polêmica do plágio pela Suzanne Collins.

Título: Battle Royale 
Autor: Koushun Takami
Tradutor: Jefferson José Teixeira
Editora: Globo
Páginas: 664
Ano: 2014
ISBN: 9788525056122
Gênero: Distopia, ação
Stand alone (não faz parte de uma série)
Nota da Cami: 4,5/5
Skoob - Goodreads - Amazon - Americanas - Saraiva - Submarino


Sinopse: Battle Royale é um thriller de alta octanagem sobre violência juvenil em um mundo distópico, além de ser um dos best-sellers japoneses e mais polêmico entre os romances. Como parte de um programa implacável pelo governo totalitário, os alunos do nono ano são levados para uma pequena ilha isolada e recebem um mapa, comida e várias armas. Forçados a usarem coleiras especiais, que explodem quando eles quebram uma regra, eles devem lutar entre si por três dias até que apenas um "vencedor" sobreviva. O jogo de eliminação se torna a principal atração televisiva de reality shows. Esse clássico japonês é uma alegoria potente do que significa ser jovem e sobreviver no mundo de hoje. O primeiro romance do jornalista Koushun Takami, tornou-se um filme ainda mais notório pelo diretor de 70 anos de idade, Kinji Fukusaku.

A turma B do nono ano da Escola Shiroiwa estava começando uma excursão até a ilha de Kyushu quando, ainda no ônibus, os 42 alunos são expostos a um gás que o faz adormecer e são levados (inconscientes) ao local da 12ª edição do “Programa”.

"O que é programa?”, você pode estar se perguntando. Bem, o autor descreve bem o cenário social e o tal Programa, mas vou tentar resumir pra você: neste livro, o Japão vive numa espécie de “regime fascista bem-sucedido” (como um dos personagens – Shinji – descreve), onde tudo é controlado pelo Supremo Líder e os Estados Unidos são considerados um país inimigo e o que vem de lá é proibido (incluindo rock, livros, filmes...). Uma das arbitrariedades e atrocidades desse governo é o Programa, que seleciona aleatoriamente uma turma de alunos do nono ano e os coloca em uma ilha qualquer, onde são obrigados a matar uns aos outros até que sobre apenas um – o ganhador, que recebe uma pensão vitalícia e um cartão assinado pelo Supremo Líder (não é demais?!).

De volta à 12ª edição do Programa. Dentre os alunos da turma selecionada, temos Shuya Nanahara, o protagonista da história, por assim dizer, já que vemos os alunos serem “sequestrados” e todas as primeiras explicações sobre o “jogo” pelos olhos dele. Quem dá essas explicações é o homem que se apresenta como professor Kinpatsu Sakamochi, o representante do governo responsável pelo Programa, um cara de aparência normal, mas um verdadeiro psicopata (ou seria sociopata?), que admite sem nenhum embaraço ter estuprado a moça responsável pelo orfanato onde Shuya e seu amigo Yoshitoki Kininobu moravam, pois ela “se opôs ao governo”. Diante dessa confissão, Yoshitoki, sempre muito calmo e bondoso, revela seu lado colérico e ameaça abertamente Sakamochi... e seus guardas matam friamente o rapaz. Shuya e Noriko (a menina por quem Yoshitoki era apaixonado, mas que gosta de Shuya) ficam em estado de choque, e a menina corre para ajudá-lo... e Sakamochi atira em sua perna porque ela saiu de seu lugar sem pedir permissão. Quando os ânimos se acalmam um pouco (embora Shuya ainda queira matar o “professor”), o homem mata outra estudante porque ela estava cochichando. Isso sem falar na morte do professor que acompanhava a turma, cujo corpo ele mostra a todos logo de cara, para deixar claro que “a coisa é séria”. Enfim... além dessa violência toda, Sakamochi explica que fará pronunciamentos a cada 6 horas, informando os nomes dos alunos mortos e quais áreas da ilha se tornarão proibidas (um “incentivo” para os alunos se manterem em movimento); quem se encontrar nesses quadrantes depois dele se tornar proibido será explodido pela coleira (sim, coleira) de metal com a qual acordaram, que também serve para mostrar exatamente onde estão. Ah, claro, e se ninguém morrer em 24 horas, todo mundo explode também. Depois disso, os alunos são liberados um por um, intercalando meninos e meninas e pela ordem da chamada. Ao saírem, os alunos recebem uma bolsa com água potável, comida e uma arma (que pode ser uma faca ou uma submetralhadora), além de uma bússola, um mapa da ilha e um relógio.
Enquanto os primeiros alunos saem, Shuya decide que protegerá Noriko em honra a seu melhor amigo que a amava. Outros alunos também têm o plano de encontrar seus amigos para se ajudarem, outros planejam trair seus colegas... Embora poucos queiram MESMO matar uns aos outros, a situação não deixa muita escolha.

Como você pode deduzir por si mesmo, a premissa é, de fato, semelhante à de “Jogos Vorazes”, sim; as duas obras têm como base jovens matando uns aos outros por causa de um governo sádico. Mas, honestamente, não achei que o restante das histórias fosse tão semelhante assim, embora eu só tenha lido o primeiro livro da série mais popular. E, sem querer desmerecer a Collins, o estilo do Takami me agradou mais por duas razões principais: o texto é narrado no passado e o ponto de vista varia frequentemente entre os “jogadores” ao longo do livro, mostrando melhor suas motivações, sentimentos, personalidades e também suas mortes.

Por falar neles, os personagens são ótimos. O fato de termos 40 alunos na competição possibilita que tenhamos diversas personalidades diferentes. Há os bonzinhos, os inteligentes, os psicopatas, os que entraram de cabeça no jogo e aqueles que tentaram a todo custo evitá-lo. Mas, é claro, a morte acaba encontrando a todos – bem, quase todos, porque o jogo precisa de um vencedor.

Como disse antes, se temos um personagem principal, este é Shuya, um jovem tido como rebelde porque se dedica a tocar guitarra (lembra que o rock é proibido?) e não apóia o governo de maneira nenhuma. Ele é um grande esportista e muito preocupado com seus amigos, além de gentil e, apesar de não saber, tem um pequeno séquito de garotas apaixonadas por ele, Noriko entre elas. Aliás, Noriko Nakagawa também é uma personagem interessante. Ela é meiga, simpática, divertida e um tanto inocente, o que faz com que seja difícil para ela aceitar que pode ter que matar seus colegas... Embora eu goste de Shuya e Noriko (e shippe os dois), meus personagens favoritos são Shinji Mimura – o cara inteligente e mais subversivo da turma (mesmo que saiba como esconder isso) – e Shogo Kawada – o cara mais velho e misterioso, com um passado sombrio, que se oferece para ajudar os dois “principais”. Para mim, os dois são os personagens com as histórias mais interessantes e pelos quais eu mais torci durante o livro. Mas o mais legal é que mesmo os personagens que são fáceis de odiar têm suas histórias contadas que, embora não justifiquem, explicam suas ações ao longo do jogo.

Depois disso tudo, só me resta recomendar Battle Royale a todos que gostam de uma boa aventura recheada de ação, violência e crítica social. É uma leitura que vale MUITO a pena!!

Mata ne! (“Até mais” em japonês)

Cami-chan

7 comentários:

  1. Oi Camila, tudo bem?
    Gente, eu quero muito ler esse livro e não fazia ideia de que já tem adaptação cinematográfica.
    Realmente, a história de Jogos Vorazes é bem mais parecida do que eu esperava.
    Eu adorei a sua resenha, e só me confirmou o que eu já sabia e o que mais me faz querer ler o livro: que é bem mais violento do que Jogos Vorazes. Espero que leia em breve!
    Parabéns, beijão!

    Juliano,
    www.diariodeumledor.blogspot.com.br

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    1. Oi!! Tudo ótimo :D
      Parece que o filme tem uma sequência e há também uma adaptação para mangá, mas só vi o filme "original" mesmo - que, como eu disse - é muito bom: violenta e crítica como o livro.
      Recomendo tanto o livro quanto o filme, Juliano! ^^
      Bjs!

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    2. Passei aqui só pra falar que comprei o livro por causa da sua resenha, ela foi o empurrãozinho que faltava pra eu comprar logo. Em breve chega! ahaha, beijos. Seguindo aqui o blog!

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    3. Oi!! Fico muito feliz em saber que a minha resenha te ajudou a se decidir a comprá-lo! Garanto que tu não vais te arrepender!!
      Volte sempre, Juliano!

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  2. Sou doida por esse livro! Meu primo leu e disse que é muito bom!

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    1. Leia também, Gabi! Vale muito a pena!!
      Bjs!

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  3. Muito boa resenha, Camila! Quase comprei o livro há algum tempo atrás, mas fiquei meio inseguro quando me disseram que se parecia com Jogos Vorazes (que eu detesto muito), mas agora, lendo sua resenha, pude notar que não tem nada a ver com a trilogia da Collins. Vou dar uma chance à Battle Royale e espero que tenha muito, mas muito sangue mesmo na história desse livro hahahaha.

    Um grande abraço!
    www.bravuraliterariblog.blogspot.com.br

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